Vacina contra a Covid-19 comprada pelo Brasil tem testes suspensos; e agora?
Publicado em 10/09/2020
Vacina produzida pela Universidade de Oxford tem parceria com a Fiocruz e país encomendou 30,4 milhões de doses iniciais para dezembro; número pode chegar a 100 milhões se comprovada sua eficácia
A vacina produzida pelo laboratório AstraZeneca em parceria com a Universidade de Oxford, na Inglaterra, teve seus testes suspenso pelos cientistas responsáveis pelo projeto. O anúncio foi feito nesta terça-feira (8) e pegou o mundo de surpresa.
O Brasil é um dos países que compraram doses da imunização e firmaram acordo para a sua produção em território nacional, por meio do Instituto Oswaldo Cruz, a Fiocruz. Foram 30,4 milhões em dezembro e janeiro e mais 70 milhões na sequência, em caso de sucesso.
De acordo com a universidade, um dos voluntários teve uma reação adversa e, por isso, os testes – que já estão em sua fase final – foram pausados até que se descubra as circunstâncias do ocorrido. Isso significa que nenhum outro voluntário será vacinado neste momento.
“Em grandes ensaios, os eventos adversos acontecem ao acaso, mas devem ser revistos de forma independente para verificar isso cuidadosamente”, afirma parte da nota enviada à imprensa pela Oxford.
Mas a pergunta que fica é: e agora? Corremos o risco de ficar sem a vacina?
A expectativa era que as primeiras doses chegassem ao Brasil já em dezembro, com alguns palpites mais otimistas até para antes. Porém, em entrevista ao canal por assinatura CNN, o diretor da Fiocruz, Julio Croda, afirmou que recebeu o comunicado sobre a pausa no estudo e que isso vai atrasar o processo. “Não há previsão para iniciar a vacinação”, disse.
Porém, outras vacinas estão em testes no mundo e têm o Brasil como potencial público-alvo. Uma delas é a Coronavac, produzida pela chinesa Sinovac e também com acordo de transferência de tecnologia com outro laboratório brasileiro renomado, o Instituto Butantan, em São Paulo.
O Governo paulista encomendou 45 milhões de doses dela e ela também pode chegar ao Brasil até dezembro de 2020. Até maio o número pode ser de 100 milhões. Ela não estaria disponível apenas para o estado governado por João Dória, mas também integraria a rede do SUS (Sistema Único de Saúde) para todos os brasileiros.
Uma terceira via passou a ganhar força nos últimos dias. A Sputnik V, anunciada pela Rússia recentemente teve resultados publicados pela revista científica Lancet, referência mundial em estudos científicos. Apesar de contestações ao método feito pela publicação, o governo russo garante a eficácia e já liberou o primeiro lote para a sua população, além de anunciar sua comercialização no México.
No Brasil, o governo do Paraná firmou acordo para testá-la e o da Bahia também negocia com o Kremlin acordo semelhante.
Fonte: ND Mais
Foto: Pixabay/ND
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