Crescimento do setor óptico sem fiscalização acende alerta para a saúde visual dos catarinenses
Publicado em 03/06/2026

Crescimento do setor óptico sem fiscalização acende alerta para a saúde visual dos catarinenses
Núcleo de Óticas da CDL Florianópolis defende maior fiscalização e valorização técnica nas óticas
Santa Catarina vive um momento de forte expansão do setor óptico. Em Florianópolis e em diversas cidades do estado, novas óticas surgem em ritmo acelerado, ampliando o acesso da população a produtos e serviços voltados à saúde visual. Mas, por trás desse crescimento, profissionais e empresários do segmento fazem um alerta: quem está garantindo a qualidade técnica dos óculos entregues aos consumidores?
A preocupação ganhou força nos últimos anos após a implementação da Lei da Liberdade Econômica, que classificou diversas atividades como de baixo risco, flexibilizando exigências para abertura e funcionamento de empresas. No segmento óptico, a medida acabou reduzindo mecanismos de controle e fiscalização, permitindo a abertura de estabelecimentos sem a mesma supervisão técnica que historicamente acompanhava o setor.
Embora a legislação brasileira continue prevendo a presença de um responsável técnico nas óticas, profissionais da área afirmam que a exigência tem sido cada vez menos fiscalizada. O resultado é o crescimento de estabelecimentos que operam sem acompanhamento técnico especializado, colocando em risco a qualidade dos serviços prestados à população.
Para o Coordenador-Geral do Núcleo de Óticas da CDL Florianópolis, Bohdan Baranovskyj Junior, a discussão vai muito além da atividade comercial. "O que nos preocupa não é o crescimento do setor. Queremos um mercado forte, competitivo e acessível para a população. O problema surge quando essa expansão acontece sem critérios técnicos e sem fiscalização adequada”, explica.
“O consumidor muitas vezes não consegue identificar se aquela ótica possui profissionais habilitados para executar corretamente uma prescrição. Estamos falando de saúde visual e de qualidade de vida."
A função das óticas
Apesar de muitas pessoas acreditarem que basta apresentar uma receita médica para que os óculos sejam confeccionados corretamente, a história não é bem assim. Especialistas explicam que existe uma etapa técnica fundamental entre a consulta e a entrega do produto. A correta interpretação da prescrição, as medições faciais, a centralização das lentes e a montagem adequada exigem conhecimento específico e precisão milimétrica.
Segundo Marco dos Santos, Presidente do Sindióptica-SC, a ausência de profissionais qualificados pode comprometer diretamente a experiência e a saúde do consumidor. “A etapa técnica entre a consulta e a entrega dos óculos é extremamente importante. Quando esse processo não é conduzido por profissionais capacitados, aumentam os riscos de desconforto visual, dores de cabeça, visão dupla e dificuldades de adaptação."
Ele explica que os óculos não devem ser tratados como um produto comum de varejo, já que são um dispositivo óptico de precisão, desenvolvido para corrigir ou compensar necessidades específicas de cada pessoa. "Um erro de poucos milímetros pode comprometer totalmente o resultado esperado pelo paciente. Óculos não são apenas um acessório. São instrumentos que impactam diretamente a qualidade de vida, o desempenho profissional, o aprendizado e até a segurança das pessoas no dia a dia", acrescenta Marco.
Além dos impactos à saúde visual, a falta de controle técnico também pode gerar prejuízos financeiros ao consumidor, que muitas vezes precisa refazer lentes ou substituir produtos em função de erros evitáveis.
Diante desse cenário, o Núcleo de Óticas da CDL Florianópolis defende que os órgãos responsáveis retomem uma fiscalização mais efetiva sobre o cumprimento das exigências técnicas previstas para o setor, garantindo mais segurança para a população e condições justas de concorrência para as empresas que atuam de forma regular.
Como forma de incentivar boas práticas e ampliar a transparência para os consumidores, a CDL Florianópolis também prepara o lançamento de um Selo de Responsabilidade Técnica, iniciativa que pretende reconhecer óticas comprometidas com padrões de qualidade, qualificação profissional e segurança na prestação dos serviços.
O Núcleo de Óticas da CDL Florianópolis reúne 26 empresários do segmento na Capital e atua na promoção do associativismo, da qualificação profissional e do fortalecimento do mercado óptico regional.
Em um momento em que o setor cresce de forma acelerada, os profissionais reforçam que ampliar o acesso da população aos óculos é importante, mas que isso deve acontecer com responsabilidade técnica, fiscalização adequada e compromisso com a saúde visual dos catarinenses. Afinal, quando o assunto é visão, não há espaço para improvisos.
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