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Burocracia, tempo e custo Brasil: o que pesa no dia a dia do lojista

Por Mateus Bernardino Neto, Diretor de SPC da CDL Florianópolis

Publicado em 31/01/2026
Burocracia, tempo e custo Brasil: o que pesa no dia a dia do lojista

Abrir as portas todos os dias no Brasil exige mais do que espírito empreendedor. Exige resiliência. A burocracia está presente em praticamente todas as etapas da jornada do lojista e dos prestadores de serviço, da abertura da empresa à operação cotidiana. Licenças, alvarás, registros, obrigações fiscais acessórias, declarações e fiscalizações múltiplas compõem um labirinto que consome energia e recursos que poderiam estar direcionados à inovação, ao atendimento ao cliente e ao crescimento do negócio. O excesso de regras, muitas vezes sobrepostas entre esferas municipal, estadual e federal, transforma a gestão em um exercício permanente de conformidade.

O tempo é outro ativo precioso, afinal, tempo perdido em processos lentos significa oportunidade desperdiçada. A demora na liberação de documentos, a instabilidade de sistemas públicos e a constante atualização de normas e plataformas digitais exigem dedicação quase exclusiva de equipes administrativas. Pequenos e médios empreendedores, que formam a base do comércio e do setor de serviços, são os que mais sentem esse impacto, afinal cada hora longe do foco comercial representa perda de competitividade.

Há ainda o custo Brasil, expressão que sintetiza uma realidade conhecida por quem empreende. Carga tributária elevada, complexidade fiscal, encargos trabalhistas, custos logísticos e financeiros acima da média internacional. No varejo, isso se reflete em preços menos competitivos, dificuldade de investimento e menor capacidade de geração de empregos. Não se trata apenas de pagar impostos, mas de entender, calcular, declarar e cumprir uma estrutura que muda com frequência e exige suporte técnico constante.

Apesar desse cenário, o comércio segue sendo um dos principais motores econômicos das cidades. Gera empregos, movimenta serviços, fortalece a arrecadação e contribui diretamente para a vitalidade dos centros urbanos. Por isso, defender um ambiente de negócios mais simples, previsível e eficiente não é apenas uma pauta empresarial. É uma agenda de desenvolvimento.

Entidades representativas como a CDL atuam justamente para ser a ponte entre o poder público e quem está na ponta, no balcão, no caixa e no estoque. O caminho passa pela digitalização inteligente dos processos, integração entre sistemas, revisão de exigências redundantes e construção de políticas que compreendam a realidade do empreendedor.

Reduzir burocracia é devolver tempo ao empresário. Diminuir o custo Brasil é permitir que ele invista mais em pessoas, tecnologia e experiência de consumo. Simplificar é, no fim das contas, impulsionar a economia real, aquela que acontece todos os dias nas ruas, nos shoppings e nos centros comerciais das nossas cidades.

O varejo brasileiro tem vocação, criatividade e força. O que ele precisa é de um ambiente que não dificulte quem faz acontecer.

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