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O “País do futuro” que nunca chega

Por Anderson Ramos Augusto

Publicado em 03/09/2026
O “País do futuro” que nunca chega

O Brasil é o mais antigo “País do futuro” do planeta. Há décadas nos preparamos para um amanhã promissor que, por alguma razão metafísica, teima em não chegar. Esse sonho é sempre adiado por mais uma reforma, mais um plano, mais uma promessa de nirvana nacional que a História e os fatos recentes não cansam de desmentir. 

Não há um senso de continuidade: o governante que entra desconstrói o trabalho de seu antecessor — até mesmo o que deu certo — a fim de garantir o próprio legado. Governos vêm e vão, mas o Estado que fica dá um passo para a frente, dois ou mais para trás. A melhor maneira de exemplificar isso é a famosa capa da revista britânica The Economist de novembro de 2009 com os dizeres “Brazil Takes Off” (“O Brasil Decola”), retratando o Cristo Redentor como um foguete e, quatro anos depois, outra capa com a mesma estátua fora de rumo e prestes a colidir, acompanhada da expressão “Has Brazil Blown It?” (“O Brasil Estragou Tudo?”, em tradução livre).

Neste Sete de Setembro de 2026 o futuro deixou de ser abstração retórica para bater à porta de todos nós. A tal reforma tributária — aquela que prometia “simplificar a vida do contribuinte” e que já nasce com ares de colcha de retalhos, sabe? — começa a ser implementada de fato. Para o empresário, o desafio é real e concreto: (1) decifrar as novas regras, (2) recalcular custos, (3) renegociar contratos e (4) reestruturar operações. Tudo isso sob a sombra de uma perversa insegurança jurídica que se tornou a única constante previsível do País.

Enquanto o atual governo federal jura modernizar o regime de tributação, multiplicam-se decisões contraditórias, mudanças de entendimento da noite para o dia e uma litigiosidade capaz de transformar o Poder Judiciário em um campo de batalha permanente. O empresário brasileiro, herói anônimo dessa novela sem fim, precisa ser, ao mesmo tempo, gestor, contador, advogado e vidente. E, como se não bastasse, arcar com o custo de um governo que arrecada como nunca antes se viu, mas que gasta muito mal e, consequentemente, onera a todos — sobretudo os mais necessitados de amparo.

Portanto, preparar-se para os próximos anos não é luxo, é questão de sobrevivência. A previsibilidade, uma raridade tropical, é o que separa o planejamento do improviso, a confiança do temor.

Que a independência que celebraremos no Sete de Setembro que se aproxima não seja apenas aquela alusiva aos eventos de 1822, mas principalmente a capacidade de nos tornarmos, enfim, donos do nosso próprio futuro antes que ele, cansado de esperar, também resolva ir embora.

Anderson Ramos Augusto
Advogado e Conselheiro da CDL de Florianópolis; Gerente Jurídico da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas de Santa Catarina (FCDL/SC); processualista civil com área de concentração no Direito do Consumidor

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