Clipping - 13/11/2017

CDL de Florianópolis

Ric Record: Balanço Geral
Pauta: Eu Amo a Praça
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SBT: Jornal do Meio-Dia
Pauta: Reforma Trabalhista
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Fonte: Notícias do Dia


Fonte: Notícias do Dia


Fonte: Notícias do Dia
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Comércio espera absorver de 25% a 50% dos R$ 8,4 bilhões do 13º salário em Santa Catarina

Para dar vazão ao consumo reprimido, shoppings antecipam decoração de Natal e apostam no aumento das vendas de 12% a 13%

De olho em uma fatia do 13º salário, o período de compras para as festas de fim de ano já começou para o comércio, com as decorações natalinas em centros comerciais, shoppings e lojas. O Dieese-SC (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) prevê uma injeção na economia catarinense, em função do 13º, na ordem de R$ 8,4 bilhões, que representam 3,1% do PIB (Produto Interno Bruto). Para a CDL (Câmara dos Dirigentes Lojistas) de Florianópolis, a estimativa é que 50% desse valor possa dar vazão ao consumo reprimido nos últimos anos de crise e, assim, recolocar em movimento a economia. Já a Fecomércio-SC (Federação do Comércio de Santa Catarina) avalia que 30% do 13º vai para o pagamento de dívidas e 25% para as compras.

A gerente de ONG Michele Cristhina Silva aproveitou uma folga para pesquisar opções de presentes para os dois filhos. “A intenção é presentear, mas com os pés no chão. Vou pesquisar bem para gastar o meu 13º com prudência e sem consumo por impulso, mas devo gastar mais em relação ao ano passado”, diz.

Segundo a pesquisa do Dieese, a estimativa é que 3,7 milhões de pessoas recebam o 13º salário, entre trabalhadores do mercado formal, aposentados e pensionistas. “Para os setores de comércio e de serviços a expectativa é muito animadora. Isso porque o 13º é uma remuneração extra, o trabalhador não utiliza para quitar as contas fixas, mas separa cerca de 20% para as despesas do início do ano como material escolar e impostos e 80% para o pagamento de dívidas e consumo”, espera o presidente da CDL de Florianópolis, Lidomar Bison.

O valor que entrará no mercado entre novembro e dezembro deste ano é 4,3% maior em relação a 2016. O supervisor técnico do Dieese em Santa Catarina, José Álvaro Cardoso, disse que o incremento é de quase R$ 400 milhões.

Bison destacou que alguns setores do varejo têm um aumento nas vendas de 50% a 300%, em produtos que não são de primeira necessidade. Os empregos formais representam 70,8% do 13º que entrará no mercado, os beneficiários do INSS correspondem a 29,2% e os aposentados e pensionistas do Estado 5,2%.

Liquidez do mercado é um sinal positivo

O empresário e diretor presidente das lojas Koerich, Antonio Koerich, observou que a liquidez do mercado é um sinal positivo. A confiança se reflete na abertura da 100ª loja no Estado neste sábado (11), em Jaraguá do Sul. “O consumidor está conseguindo pagar as contas e ficando apto a comprar novamente. O índice de inadimplência vem caindo e a evolução é positiva mês a mês nas vendas. A expectativa é de que o cenário político colabore e acompanhe a economia”, observa.

A expectativa do empresário é de que o cenário político colabore e acompanhe a economia. “Tenho a expectativa de que a política venha atrás do cenário econômico e possa trazer tranquilidade para o crescimento do país”, destaca.

Empresária estima incremento de 40% nas vendas

A empresária Maria Luiza Costa também antecipou a decoração da Bless Boutique, no Centro da Capital, especializada em vestidos para festas e eventos. Há quatro anos no comércio, ela percebeu uma recuperação nas vendas durante o ano em cerca dos 20%, mas espera um dezembro com crescimento na receita na ordem dos 40%.

A empresária disse que está passando pela sua alta temporada. “O nosso movimento é agora, quando as mulheres compram os vestidos para as confraternizações e eventos de fim de ano. Quem chega primeiro tem a opção de escolher os modelos exclusivos. A minha esperança é de um crescimento de 40% nas vendas em comparação ao mesmo período de 2016”, prevê.

“Reforcem os estoques”, diz o presidente da Fecomércio

O presidente do sistema Fecomércio-SC, Bruno Breithaupt, comemora um ótimo ano para o comércio em relação aos anos anteriores. Ele lembra que a última pesquisa registrou um aumento de 16% no comércio no mês de outubro e sugere aos empresários que reforcem os estoques.

“Ainda não temos uma pesquisa sobre o quanto do 13º salário será destinado ao comércio este ano, mas pela nossa experiência e pelos números do ano passado acredito que 30% dessa renda extra é para o pagamento de dívida. O trabalhador deve economizar cerca de 25% e deve consumir outros 25%. O restante é para os gastos com escola e impostos no início do ano. A minha sugestão para os empresários é que reforcem os estoques”, ressalta.

A gerente de uma unidade da Carioca Calçados no Centro de Florianópolis, Cristiane de Macedo, finalizou os últimos enfeites nesta semana e confirmou o sentimento positivo do setor. “A confiança é tanta que começamos mais cedo a nossa promoção de Natal. O consumo vem crescendo e a empresa voltou a sortear um carro para os clientes, coisa que não aconteceu no ano passado. As lojas já estão com mais movimento”, afirmou Cristiane.

Crescimento de 12% a 13% nos shoppings

O gerente executivo do Beiramar Shopping, Walther Biselli, lembrou que em 2016 também havia uma expectativa muito grande, principalmente pela suposta “invasão” dos argentinos, que não foi confirmada. Desta vez, Biselli prevê um cenário de aumento de consumo baseado em fatores da economia no decorrer do ano e estima um crescimento de 12%. Já a assessoria do Continente Park Shopping, do Grupo Almeida Júnior, prevê um aumento nas vendas na ordem de 13% neste fim de ano.

“Percebemos uma pré-disposição para o consumo após dois anos de recessão. Acreditamos que este ano o trabalhador teve a oportunidade de quitar as dívidas com a disponibilização das contas inativas do FGTS e do PIS/Pasep, por exemplo. Notamos um pequeno crescimento nas vendas, mas consistente. A estimativa para o aumento de consumo deva ficar em torno dos 12%”, estima. Biselli lembrou que o turismo também contribui para o aumento das vendas.

Segundo o gerente executivo do Beiramar, o shopping registrou um aumento no número visitantes durante os feriados. O Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares da Grande Florianópolis confirma a expectativa positiva para a temporada.

Para não se endividar no fim do ano

Dezembro chegando, dinheiro extra na conta, mas também tem aumento das despesas. Por isso, é necessário pensar na melhor estratégia para fechar bem o ano e entrar com o pé direito em 2018. Se você é o tipo de consumidor investidor ou equilibrado, não terá problema para decidir qual a melhor forma de gastar ou investir o seu dinheiro, porém se o seu perfil for o de consumidor endividado, veja algumas dicas no quadro abaixo. (Janine Alves)

>> Estimativa do 13º salário em Santa Catarina

Trabalhadores no mercado formal: R$ 5,91 bilhões

- Assalariados dos setores público e privado: R$ 5,84 bilhões
- Empregados domésticos com carteira: R$ 68,4 milhões

Aposentados e pensionistas: R$ 2,43 bilhões

- Beneficiários do INSS: R$ 1,94 bilhão
- Regime próprio do Estado: R$ 437 milhões
- Regime próprio dos municípios: R$ 56 milhões

>> Dicas

Livre-se das dívidas ou pelo menos as deixe sob controle
Use o 13º salário para pagar as dívidas com juros mais altos: cheque especial e cartão de crédito
Planejamento: Depois de pagar as dívidas, é necessário saber o quanto se tem para gastar e quais são as prioridades. Faça uma lista e evite as compras por impulso, pois nesse momento ceder às tentações pode pesar muito no bolso
Precaução: Em janeiro tem despesa extra com IPTU, material escolar, energia elétrica, etc., portanto pisar no freio agora pode ajudar a pagar as contas do próximo ano
Hábito: Manter os gastos dentro do orçamento é um exercício diário e, se praticado em conjunto por toda a família, vai trazer muitos benefícios. Afinal é muito melhor comprar um bem do que viver para pagar juros.

Fonte: Notícias do Dia
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Reforma trabalhista: o olhar catarinense para as mudanças na legislação

A entrada em vigor ocorre apenas três meses após a aprovação do texto no Congresso Nacional

Os operadores do Direito dão o tom que predomina no momento em que a nova legislação trabalhista está entrando em vigor: cautela. Há avanços significativos, que tendem a aumentar as oportunidades de emprego, e artigos que podem ser considerados inconstitucionais e, portanto, gerar ações futuras no âmbito do Judiciário.

De imediato, passam a valer, por exemplo, a possibilidade de fracionamento das férias em três partes, os contratos intermitentes e o fim da contribuição sindical. Já o tempo que o empregado gasta se deslocando de casa até o trabalho, nos casos em que o transporte é oferecido pela empresa, deixa de ser remunerado. A lei mexe também no teletrabalho (ou home office), no banco de horas e nas condições de insalubridade de trabalho das gestantes.

A reforma aprovada pelo Congresso Nacional não mexe em questões relacionadas ao salário mínimo, 13º salário, seguro-desemprego, benefícios previdenciários, licença-maternidade e normas relativas à segurança e saúde do trabalhador. Por outro lado, ao dispensar a participação dos sindicatos na maioria das negociações, a lei agiliza os processos de admissão e rescisão e desburocratriza os procedimentos internos das empresas – uma bandeira que os empregadores desfraldavam há muitos anos. Outras mudanças previstas precisarão ser negociadas entre trabalhadores e empresas, individualmente ou por meio de sindicatos.

Para juízes do trabalho, no entanto, a rapidez na aprovação da reforma e a falta de um debate nacional sobre o tema estão exigindo estudos de cada um dos 117 artigos da lei. A entrada em vigor ocorre apenas três meses após a aprovação do texto no Congresso Nacional. “Houve avanços do ponto de vista processual, mas no conjunto ainda não sabemos quais serão os reflexos da nova norma”, diz o advogado Alberto Gonçalves de Souza Júnior, professor de Direito do Trabalho da Unisul (Universidade do Sul de Santa Catarina).

A presidente da Amatra 12 (Associação dos Magistrados da Justiça do Trabalho de Santa Catarina), juíza Andrea Haus Bunn, critica o fato de a reforma não tratar da redução dos encargos trabalhistas – fator que, aí sim, ajudaria a turbinar a contratação de trabalhadores em todos os segmentos da economia. Se os sindicatos serão forçados a sobreviver quase sem recursos, o governo não abre mão de nenhum item de receita. Ela teme até pelo fim da Justiça do Trabalho, um retrocesso que colocaria em risco direitos conquistados a muito custo pelos trabalhadores.

Ajustes regulados por medida provisória

Pela nova legislação, os contratos de trabalho em vigência continuam obedecendo as regras atuais, mas a prevalência do acordado sobre o legislado permite que as convenções coletivas se sobreponham à lei em temas como jornada de trabalho, banco de horas e intervalo intrajornada. Na sexta-feira, surgiu a notícia de que o governo pretende encaminhar esta semana uma série de ajustes à lei, como o que impede a demissão de trabalhadores para recontratação posterior por contrato de trabalho intermitente num prazo de 18 meses. Os ajustes podem editados por meio de medida provisória.

A negociação individual entre patrão e empregado é uma novidade que pode surpreender os trabalhadores, habituados a resolver todas as pendências com a intermediação dos sindicatos. É o caso da jornada de 12 por 36 horas: de acordo com o texto sancionado em julho, mediante acordo individual escrito, convenção coletiva ou acordo coletivo de trabalho, é possível estabelecer horário de trabalho de 12 horas seguidas por 36 horas ininterruptas de descanso. Agora, o governo pensa em flexibilizar essa regra.

Uma mudança aprovada quatro meses atrás consiste na perda do direito de um empregado com dez anos de carteira assinada de assegurar a gratificação por função ao deixar o cargo. E parte das demissões não precisará mais ser homologada no sindicato da categoria do trabalhador – é mais uma prerrogativa perdida pela instância que historicamente representou os empregados.

Para o professor Alberto de Souza Júnior, no entanto, os sindicatos têm agora a oportunidade de se reinventar, buscar novas formas de custeio e mostrar aos trabalhadores que têm um papel essencial na defesa de seus interesses. “Os Estados Unidos têm poucos sindicatos, mas eles são muito fortes, contam com milhões de filiados”, diz o advogado. Lá, o sindicalismo que sobreviveu é atrativo porque continua sendo influente na defesa dos trabalhadores. “Aqui, nunca os sindicatos tiveram tanta importância como vão ter de agora em diante”.

Benefícios à mão de obra temporária

A negociação direta entre empregadores e empregados e o trabalho intermitente podem ser muito vantajosos para as empresas de prestação de serviços – como hotéis e restaurantes – na Grande Florianópolis, entende o professor Alberto de Souza Júnior. A região usa muito a mão de obra sazonal, temporária, nos meses da alta temporada de verão, e depois dispensa parte dessa força de trabalho, que pode ser equipara ao antigo “freelancer”. “Nesses casos, as pessoas ganharão por dias trabalhados”, diz ele, ressaltando que os patrões não terão mais a obrigação de homologar cada demissão no sindicato ou no Ministério do Trabalho.

Por outro lado, ao não reduzir o peso dos encargos o governo ignorou um aspecto importante para a geração de novas vagas. “O trabalho é caro e os encargos encarecem cada contratação em cerca de 48%”, afirma ele. Por isso, do ponto de vista fiscal, não houve reforma. No caso dos intermitentes, uma desvantagem é que eles precisarão cobrir por conta própria o custo da contribuição previdenciária para efeito de aposentadoria.

Nas reuniões e palestras que faz para empresários, o advogado e professor percebeu grande receptividade às novas regras, principalmente pela desburocratização das negociações. A região de Florianópolis tem muitas empresas de pequeno porte, empresas familiares que não dispõem de estrutura para dar conta de tantas demandas legais, como advogado próprio, contador ou um funcionário só para cuidar do desembaraço de papéis na área de recursos humanos. Fazendo uma projeção, ele acredita que é cedo para medir os impactos da nova lei e que muitas decisões ainda dependerão da interpretação dos juízes ao julgar cada demanda decorrente da insegurança jurídica que ela trouxe.

A juíza Andrea Haus Bunn, presidente da Amatra 12, não arrisca afirmar que a reforma trabalhista representa um avanço para o país, porque considera que houve perdas de direitos. Em oito meses, diz ela, o projeto foi discutido no Congresso, aprovado, sancionado e colocado em vigência. Os operadores do Direito estão analisando os artigos da lei e não sabem como se dará a sua aplicação integral, na prática. O fato é que nem todos os patrões e empregados têm noção do que está mudando, e por isso poderão ser surpreendidos quando se depararem com as novas regras. “A divulgação e o esclarecimento da sociedade não foram os ideais, pela amplitude das mudanças”, afirma a juíza.

Os sete artigos do texto original se transformaram em 117 na versão final, tudo votado em regime de urgência. Uma das críticas é que a multa do FGTS nas rescisões de contrato terá uma redução de 50% em relação ao que é praticado hoje, e os empregados não terão mais direito ao seguro desemprego. Em nível nacional, a Amatra também questiona a nova norma, e por isso já houve manifestações de próceres do governo e de figuras que o apoiam contra a posição dos magistrados. “A Constituição Federal protege e preserva os direitos sociais, por isso não se pode retroceder”, diz Andrea Bunn. Ela vê o Judiciário como um poder muito conservador e que deverá ir pela aplicação da lei nas demandas a serem criadas pela nova lei trabalhista.

Saiba a opinião de empreários do Estado

“O trabalho mudou muito na última década com o advento da Internet e do expediente em casa. A atualização da lei trabalhista é benéfica ao trabalhador e ao empregador. Agora, o empresário pode contratar vendedores apenas para o fim de semana ou para trabalhar por um determinado tempo de horas, desde que seja comunicado com 24h de antecedência. Isso também abre novas possibilidades aos trabalhadores, que poderão ter outras atividades. Outro ponto importante é a liberdade de negociação entre patrão e empregado, que torna a relação mais moderna e adulta.”
Lidomar Bison, presidente da CDL de Florianópolis.

“O impacto da reforma trabalhista será muito positivo, principalmente, pelo trabalho intermitente. Essa já era uma pauta da Abrasel há mais de 10 anos, em função da sazonalidade dos serviços prestados. A nova legislação vai incentivar a formalização de mais postos de trabalho dentro da legalidade. Também estamos prevendo uma redução no número das ações trabalhistas, o que dará mais segurança na relação do trabalhador e do empregador.”
Raphael Dabdab, presidente da Abrasel-SC

“A nova legislação vem ao encontro do patronal e do laboral pela flexibilização nas relações de trabalho. Isso vai beneficiar as duas partes, que poderão resolver as dificuldades de determinado setor negociando acordos, porque apenas quem está na ponta conhece os problemas enfrentados diariamente. A reforma também vai aumentar a formalização do trabalho, porque nos últimos anos contratar um novo funcionário era quase inviável. A consequência desta flexibilização é a redução de processos judiciais, que também é bom para as duas partes.”
Bruno Breithaupt, presidente da Fecomércio-SC

>> Confira as mudanças da Lei trabalhista ao longo do tempo

Desde a criação da CLT, as leis trabalhistas sofreram mais de 500 alterações; veja as principais

1943- CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) é criada por decreto presidencial de Getúlio Vargas, no Estado Novo;
1951- Instituição do aviso prévio de 30 dias para empregados que rescindirem o contrato sem justa causa;
1962- Criação do 13º salário; até então, o chamado bônus natalino era dado por iniciativa própria das empresas;
1966- Criação do FGTS para substituir a estabilidade após dez anos de serviço na mesma empresa;
1969- Criação da Carteira de Trabalho e Previdência Social, que reproduz a vida funcional do trabalhador;
1977- Instituição de férias anuais de 30 dias corridos. Até então, o direito já existia, com período menor;
1988- Com a Constituição, vieram importantes mudanças como a obrigatoriedade do FGTS e a permissão de jornadas acima de 6 horas;
1991- Criação de percentual mínimo de empregados deficientes, com cotas entre 2% a 5% a depender do número de funcionários;
1998- Criação do banco de horas, quando previstos em acordos coletivos, para compensação de horas extras em folgas em vez de remuneração;
1999- São criadas medidas de proteção à mulher no trabalho, como proibição da discriminação na contratação e em promoções na empresa;
2001- Tempo de deslocamento entre casa do empregado e local de trabalho passa a ser computado como jornada, quando o empregador oferecer transporte;
2008- Criação de incentivo fiscal para empresas que ampliam de 120 dias para 6 meses o período de licença-maternidade, e de 5 para 20 dias para a licença-paternidade; além disso, extensão do benefício para pais adotivos;
2011- Reconhecimento do trabalho a distância com mesmos direitos de empregados presenciais;
2017 - Criada a lei da terceirização.


Geral

Fonte: Notícias do Dia

Indefinição sobre Interlagos leva F-1 a flertar com Florianópolis

Os organizadores admitem que uma mudança para Florianópolis exigiria ampla redefinição logística do evento

Com o avanço do projeto de lei que trata da privatização do autódromo de Interlagos, a promotora do GP Brasil de F-1 estuda alternativas para onde levar a prova depois de 2020, quando se encerra o contrato de São Paulo com a FOM (Formula One Management). Caso não haja acordo com quem por ventura assumir o autódromo, a opção número 1 da Interpub, empresa que realiza a corrida no país, é Florianópolis, em Santa Catarina.

Segundo Tamas Rohonyi, presidente da empresa, já foi produzido um projeto de engenharia pronto para um traçado, que seria montado nas ruas do centro da cidade catarinense, nos contornos da avenida Beira Mar Norte, com a ponte Hercílio Luz como cenário de fundo.

Ele também afirmou que houve reuniões entre autoridades do município e o ex-dono da F-1, Bernie Ecclestone. "Não precisaria nem de autódromo. Como Florianópolis é uma cidade turística, ia conseguir trazer metade da Argentina. Imagine que o fluxo de turistas argentinos, que já é grande, triplicaria", afirmou o empresário.

A Argentina recebeu um Grande Prêmio pela última vez em 1998. Houve tratativas para o que o país voltasse a hospedar uma corrida da categoria, porém elas não avançaram. Nos últimos anos a F-1 aumentou o número de provas disputadas em circuitos de rua, como Baku e Cingapura. Rohonyi disse que a promoção deste formato no Brasil seria "muito inovadora". Os organizadores admitem que uma mudança para Florianópolis exigiria ampla redefinição logística do evento.

A maior cidade do país tem recebido o GP Brasil seguidamente desde 1990, e mobiliza até 8.000 pessoas de estafe no final de semana de disputa. Além disso, o custo seria maior do que em uma corrida convencional, em autódromo. "O circuito de rua é mais caro, por ter de montar e desmontar todo ano. Mas, por outro lado, tem vantagens", disse Tamas Rohonyi, que trabalha na promoção de eventos no país desde o final dos anos 1970. O empresário acredita que a composição visual seria um atrativo para a televisão.

O interesse em levar o GP Brasil para Santa Catarina não é novo. Em 2014, o então prefeito de Florianópolis, César Souza Júnior, afirmou que manteve conversas com Ecclestone e chegou a dizer que havia possibilidade de realizar a prova em 2016 --o que, obviamente, não ocorreu. Ecclestone vendeu os direitos da F-1 para o grupo Liberty Media e não comanda mais a categoria. Porém, Rohonyi, que é muito próximo do inglês, ressuscitou o assunto.

Interlagos recebe o GP do Brasil desde 1972. A edição inaugural foi disputada em São Paulo e não valeu pontos. Ela serviu de teste para que a FIA (Federação Internacional de Automobilismo) desse a homologação para uma corrida oficial, que ocorreu no ano seguinte. Em 1978, a prova migrou para Jacarepaguá, no Rio de Janeiro, único lugar além da capital paulista que sediou a F-1. Em 1990, o evento voltou a ser realizado em São Paulo.

Privatização

Rohonyi afirmou que se reuniu com o prefeito João Doria duas vezes nos últimos meses para discutir questões relativas à privatização do autódromo de Interlagos e eventual permanência do Grande Prêmio em São Paulo.

A prefeitura e a promotora têm um contrato com a FOM que vigora até 2020. Como o comando da F-1 mudou de mãos recentemente, Rohonyi disse não saber como será a costura de uma renovação. E que, por isso, passou a aventar a opção de Florianópolis.

"Eu sou realista. Conversei com João Doria e fomos muito abertos. Ele disse o que vai fazer, das cláusula para respeitar o contrato até 2020. Mas onde estará Doria em 2020?", indagou o promotor, em alusão à pretensão de o político concorrer à Presidência em 2018.

Rohonyi disse que Doria afirmou ter três administradores privados interessados na gestão do autódromo. Daí a fechar, porém, é outra história. "As perguntas que faço são: quem compra [o autódromo]? Como compra? Nem sei se alguém compraria Interlagos", afirma.


Fonte: Notícias do Dia

Parque de Coqueiros, em Florianópolis, ficará totalmente fechado durante 11 dias

O isolamento da área é necessário para a execução das obras de revitalização do parque

Entre os dias 13 e 24 de novembro o parque de Coqueiros, em Florianópolis, ficará totalmente fechado para o acesso de pedestres, ciclistas e veículos. A medida, de acordo com a Secretaria Municipal do Continente e Assuntos Metropolitanos, é necessária para que sejam concluídas as obras de revitalização do entorno.

As equipes estão no local desde agosto e agora precisam que toda a área fique isolada para evitar que os frequentadores passem por onde os trabalhos estão sendo executados, principalmente nas pistas de caminhada e ciclovia. Durante a interdição, também não será permitida a parada de veículos nas vagas do bolsão de estacionamento.

A revitalização do Parque de Coqueiros inclui 12 novos bancos no entorno da pista de caminhada, substituição de alambrados das quadras esportivas e campos de futebol, construção de uma ponte sobre o lago e da colocação de um novo pergolado de madeira. Além disso, um espaço para cães, Pet Place, está sendo feito para que os animais possam circular livremente.


Fonte: Notícias do Dia

De olho no governo de SC em 2018, PSDB elege executiva do partido

Senador Paulo Bauer e prefeito Napoleão Bernardes estão entre as apostas para próximas eleições

O PSDB de Santa Catarina elegeu na manhã deste sábado (11) o novo diretório do partido, em São José. A chapa de consenso, que mantém o deputado estadual Marcos Vieira na presidência, foi confirmada pela maioria, contando com 565 votos sim, sete votos em branco, cinco votos não e um nulo. A nova executiva, que tem como missão apesentar nome para encabeçar a chapa ao governo do Estado, tem o deputado federal Marco Tebald na primeira vice-presidência; o prefeito de Blumenau Napoleão Bernardes, segundo vice-presidente; e Leonel Pavan, secretário de Turismo, como terceiro na linha sucessória.

O senador Paulo Bauer foi escolhido presidente de honra. Completam a executiva o deputado Gilmar Knaesel, a prefeita de Camboriú, Luzia Coppi, o deputado Dóia Guglielmi e o vice-prefeito de Florianópolis, João batista Nunes.

“A convenção do PSDB neste final de semana é o cumprimento de mais uma etapa de um projeto. O PSDB tem projeto, sabe o que quer e aonde quer chegar. Neste projeto nosso objetivo e termos candidato ao governo do Estado”, afirmou o presidente reeleito Marcos Vieira.

Demonstrando disposição para tentar mais uma vez a disputa pelo governo do Estado, o senador Paulo Bauer está entre um dos mais cotados do partido. No entanto, internamente, outra ala do partido aposta em Napoleão Bernardes para o posto.

Marcos Vieira não quis fechar questão e diz que a escolha dos nomes tanto ao governo como ao Senado serão apresentados no momento certo: “O PSDB tem vários nomes. O senador Paulo Bauer é realmente um nome importante nesse contexto. Nos temos o prefeito Clésio Salvaro, de Criciúma, temos o prefeito Napoleão Bernardes, Leonel Pavan e até mesmo o meu próprio nome está a disposição do partido”, declarou.

Partido se aproxima de PP

Presentes na convenção, os deputados progressistas João Amin e o presidente da Alesc Silvio Dreveck subiram no palanque acenaram para possível acordo com o PSDB em 2018. “Já estimemos juntos e em lados opostos. O PSDB tem liderança comprometida com Santa Catarina e tanto o PSDB quanto o PP estarão pensando o melhor para o Estado”, discursou Dreveck.

João Amin, que representou o casal Esperidião e Angela Amin, disse que o partido está aberto à conversações e que o PSDB não está de fora uma possível aliança. “Eu mesmo já votei no Paulo Bauer duas vezes. Estamos em conversação com todos os partidos e o PSDB é sim um partido que pode estar junto em 2018. Só não temos conversa com o PMDB, este está fora de cogitação”, disparou João Amin.

Segundo Vieira, mais de duas mil pessoas passaram pela convenção, que ainda definiu presidências da Juventude PSDb, PSDB Mulher e da liderança dos vereadores. “Esta é talvez a maior convenção estadual do PSDB. A militância esta animada para encarar a candidatura ao governo do Estado”, finalizou o presidente.


Fonte: Diário Catarinense

Receita divulga regras para entrega da declaração de IR retido na fonte

A Secretaria da Receita Federal publicou no Diário Oficial da União (DOU) desta segunda-feira, 13, instrução normativa sobre a Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte relativa ao ano-calendário de 2017 e a situações especiais ocorridas em 2018 (Dirf 2018).

O documento deverá ser apresentado por meio do programa Receitanet, disponível no site do órgão, até o dia 28 de fevereiro de 2018. "A Dirf 2018 será considerada relativa ao ano-calendário anterior, quando apresentada depois de 31 de dezembro do ano subsequente àquele no qual o rendimento tiver sido pago ou creditado", cita a IN. (Luci Ribeiro)


Fonte: Diário Catarinense

Ocupação desordenada e ressacas históricas nas praias mudam litoral de SC

O mar sempre volta para buscar aquilo que lhe é tomado. Sabedoria popular de quem vive no litoral, a frase nunca fez tanto sentido. Desde o início do inverno, as águas avançaram com força sobre as praias catarinenses, arrancando estruturas de concreto, contorcendo vergalhões de ferro, derrubando construções de tijolos. Uma destruição implacável que já levou seis municípios do Estado a decretar situação de emergência.

Não há uma razão única para explicar a intensidade do que ocorreu neste ano. Uma combinação incomum de fenômenos naturais causou ressacas avassaladoras em diversos pontos do Estado, assustando moradores e turistas. Praias que antes tinham largas faixas de areia, como o Matadeiro, em Florianópolis, o Ervino, em São Francisco do Sul, ou o Balneário Cambiju, em Itapoá, foram tomadas pelo mar e, hoje, têm poucos metros de terra firme. A soma de eventos meteorológicos persistentes com a ocupação desordenada de áreas próximas às praias fazem parte dessa equação que resultou na erosão no litoral.

– Geralmente, isso ocorre em praias bem urbanizadas, que tiveram crescimento desordenado sem respeito à restinga, que seria uma área de amortecimento natural. É normal este processo erosivo nas dunas e restingas, o problema é quando tem ocupação urbana nessas áreas – afirma o gerente de monitoramento e alerta da Defesa Civil de Santa Catarina, Fred Rudorff.

A praia dos Ingleses, na Capital, foi uma das mais afetadas. Se dois anos atrás havia uma faixa de areia de quase 30 metros de largura, hoje são menos de 10 metros. Os moradores mais antigos garantem que isso acontece de tempos em tempos, mas que dessa vez o impacto foi maior por causa das construções.

– Toda vida essa maré existiu, só que em outros tempos não tinha bar e casa na beira da praia.

As pessoas invadiram o mar. Para mim, as bruxas perderam o encanto. A Ilha é um coração de mãe que acolhe todo mundo, mas as pessoas que não vivem para o bem são penalizadas. É uma revolta da natureza, porque hoje existe muito individualismo e muitos interesses. A Ilha está perdendo a alma, e as bruxas estão revoltadas – sugere Valdir Santos, de 61 anos, mais conhecido como Valdir Mata-fome, figura característica dos Ingleses.

Se há ou não revolta das bruxas, o fato é que entre os pesquisadores da área, a sensação é de que os moradores e os turistas terão que se adaptar, ao menos por algum tempo, às novas configurações das praias. Alguns arriscam que o prazo para uma recomposição da faixa varie de dois a três anos.

– Foi um evento extremo, que não vai se repetir tão cedo, mas essa recuperação natural é lenta e depende de como a gente vai mexer na zona costeira. A natureza leva a areia, mas traz de volta.

A gente só não pode fazer mais besteira, como colocar pedra em tudo, porque isso pode contribuir ainda mais para a erosão no longo prazo – diz Carlos Eduardo Salles de Araújo, pesquisador da Epagri/Ciram do grupo de monitoramento costeiro.

Em São Francisco do Sul, o avanço do mar causou estragos não só nas praias mais urbanizadas, como também naquelas mais inóspitas. Se em Itaguçu, Ubatuba, Enseada e Prainha a erosão marítima afetou vias públicas, calçadões e a rede de iluminação, na Praia Grande e no Ervino, o mar engoliu parte da Avenida das Dunas, que chegou a ser interditada pela Defesa Civil municipal na altura do Parque Estadual Acaraí. Isso se explica por causa da sobreposição da maré meteorológica à maré astronômica, aliada às fortes ondulações de Leste na costa catarinense, mas há quem diga que é um sinal das mudanças climáticas que começam a dar as caras em todo o planeta como reflexo do aquecimento global.

– O que aconteceu com a Praia Grande, a quantidade de areia que o mar retirou, é uma coisa inexplicável. A gente via efeitos parecidos esporadicamente, mas não nessa proporção. Acredito que o ser humano vai ter que recuar. Não sei se vamos estar aqui, mas em algum momento vamos ter que subir a serra. A gente também nunca tinha visto a chamada maré seca, esse grande recuo do mar – conta Marcolino Ribeiro, morador da Prainha e comunicador que faz boletim de ondas há 18 anos.

Apesar de reconhecer que as mudanças climáticas contribuem para eventos naturais mais extremos que o comum, especialistas evitam atribuir essa causa aos fenômenos vistos neste ano no litoral catarinense. De acordo com o físico oceanógrafo da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Felipe Pimenta, a hipótese de que o nível do mar está se elevando tem que ser refutada neste momento.

– Se o nível do mar estivesse subindo, nós teríamos problemas em todas as praias. E não temos. O efeito é localizado, associado à orientação das praias e à maneira que elas interagem com ondulações e ventos atípicos. O ambiente tem a variabilidade natural e, de ano a ano, vai funcionar de maneira mais ou menos previsível, mas a gente sabe que existem alterações no clima que podem ocorrer a cada seis ou sete anos, como o El Niño, por exemplo. Então, é possível que, em determinado momento, certa praia responda de maneira repentina, mas depois volte ao seu ciclo natural.

É essa a esperança de quem vive na faixa litorânea, especialmente nos municípios de Itapoá, Barra do Sul, Barra Velha, São Francisco do Sul, Navegantes e Florianópolis, onde diversas praias foram atingidas pelo avanço do mar neste ano. Às vésperas de mais uma temporada de verão, oportunidade para muitos moradores aumentarem sua renda com o comércio, a expectativa é de que o mar recue para não prejudicar a movimentação de turistas.

– Fizemos uma pesquisa recente com as agências de viagens e não sentimos nenhuma influência (das ressacas) até o momento. A expectativa é de ter uma grande temporada, com aumento de 15% no número de turistas em relação ao ano passado (estimado em mais 8 milhões de pessoas em todo o Estado). (O avanço do mar) impactou, mas a natureza se recupera – afirma o secretário de Turismo, Cultura e Esporte de Santa Catarina, Leonel Pavan.

Apesar do otimismo do poder público, aqueles que vivem do comércio à beira-mar já começaram a sentir os efeitos das ressacas. Rita Ormond, de 51 anos, que é dona de uma loja de artigos de praia na Rua dos Tubarões lamenta a queda nas vendas. O comércio fica em um acesso à praia de Ingleses, que virou uma grande pilha de escombros.

– Tem uns quatro ou cinco meses que estamos penando. As vendas caíram cerca de 80%. O pessoal saía da praia e passava direto aqui, mas depois dessas marés, entramos em desespero.

O buxixo que a gente escuta é que vão limpar, então estamos esperançosas. Espero que mude até o verão, porque dependemos disso – afirma.


Fonte: Diário Catarinense

Rodrigo Pimentel, ex-oficial que inspirou "Tropa de Elite", fala sobre a situação da segurança

Dez anos depois de o filme Tropa de Elite retratar a guerra entre a polícia e o crime organizado no Rio de Janeiro, a missão do ex-oficial do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) Rodrigo Pimentel é outra. Mas o alvo do principal inspirador do personagem Capitão Nascimento continua o mesmo: a situação da segurança pública. Desde que saiu da corporação, em 2001, ele escreveu o livro Elite da Tropa, engatou carreira como palestrante e foi comentarista da área na rede Globo. Atualmente, trabalha em um roteiro de ação sobre o que chama de “derrocada” das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) nas comunidades cariocas com o cineasta Roberto Santucci (da comédia O Candidato Honesto). Também está colaborando com o diretor José Padilha — parceiro em Tropa de Elite — na série O Mecanismo, a respeito dos meandros da corrupção denunciados pela Operação Lava-Jato. Dividida em oito episódios, a história está prevista para estrear na Netflix em 2018 e “vai mais fundo, trazendo o STF e os partidos políticos para dentro do rolo”, conforme adianta Pimentel na entrevista a seguir.

O que está certo na segurança pública de um país onde foram mortas sete pessoas por hora, como no Brasil em 2016, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública?
Olha, São Paulo parece estar num bom caminho. Lá, havia 26 homicídios para 100 mil habitantes na década de 1980 e hoje há 9,8. Evidente que também tem violência, PCC, mas é a única das grandes capitais brasileiras onde houve efetiva redução desses índices.

Então Santa Catarina, que enfrenta uma guerra entre facções, deve se inspirar em São Paulo, onde apenas uma delas atua com força?
O perfil de homicídio no Brasil é entre 22h e 2h, de 16 a 24 anos, entre 50 a 100 metros de um bar ou ponto de venda de drogas. Se pelo menos 70% dos homicídios têm essa dinâmica e há uma facção hegemônica que consegue estabelecer a paz, sem disputa territorial, a resposta é sim. Ajuda bastante. Mas não podemos atribuir a redução dos índices em São Paulo ao predomínio de uma facção. Foi o Estado que mais investiu em cadeias e onde os juízes aplicam as maiores penas do país. A impressão é de que existe uma mobilização maior da sociedade paulista, com governo, Judiciário, mídia, para enfrentar esse problema.

Ainda segundo o anuário, os governos gastaram 2,6% a menos com políticas de segurança pública em 2016. O dinheiro que restou está sendo bem aplicado?
Nem sempre aumento do investimento em segurança implica em redução do crime. O dinheiro às vezes é aplicado de forma equivocada. Para os Jogos Panamericanos do Rio de Janeiro, em 2007, foram comprados computadores para viaturas que nunca foram instalados, equipamentos de comunicação que não funcionavam, helicópteros que não voavam, caminhões gigantescos de comando e controle que nunca foram usados. Dinheiro jogado fora sem escutar o policial que está lá na ponta. Porque lá precisa do básico: papel para os autos de prisão em flagrante, toner para a impressora, combustível para a viatura, salário em dia, munição, dinheiro para treinamento e capacitação. Normalmente, os gestores não atendem o básico e querem comprar um negócio mirabolante.

O que o senhor acha das UPPs implantadas no Rio de Janeiro? Deveriam ser replicadas em outros Estados?
As UPPs eram, com certeza, o mais importante projeto de segurança pública que o país teve nos últimos 30 anos. Esse projeto reelegeu o (Sérgio) Cabral e elegeu o (Luiz Fernando) Pezão ao governo do Estado. Cada inauguração era transmitida ao vivo pela TV, fazia parte do sonho olímpico, foi abraçado pela cidade e pela imprensa. Eis que começa a dar errado. O que era uma solução, tornou-se um problema — para a polícia, para as comunidades, para a cidade. O fato de a favela estar ocupada pela polícia gera confronto, guerra, bala perdida. Então aquele sonho do Cabral e do (secretário de Segurança Pública do governo Cabral, José Mariano) Beltrame, que era colocar o policial na favela e, com isso, trazer a paz, acabar com a ocupação territorial do tráfico, com os homicídios, com a criança acordando de manhã e vendo na porta de casa um bandido com fuzil, foi para o ralo, não existe mais.

Por que deu errado?
Confesso que era um dos maiores entusiastas, senão o maior, das UPPs. No início, a PM ocupava uma favela e, sete, oito meses depois, os índices de violência e os homicídios tinham caído a zero. Como é que não vou aplaudir um projeto onde depois que ele é estabelecido fica seis anos sem ninguém ser morto? Aí vinha aquele papo: ‘Ah, mas o tráfico continua existindo.’ P*, onde você tem gente disposta a consumir cocaína, vai ter gente disposta a vender! A UPP nunca foi anunciada como o fim do tráfico, e sim como o fim do domínio territorial armado do tráfico. O tráfico vai existir, mas você vai andar nas ruas, nas vielas e nos becos e não vai ter mais ninguém apontando fuzil. Ocorre que, depois de três anos, o tráfico começa a voltar devagarzinho, testando a polícia.

Recentemente o ministro da Justiça, Torquato Jardim, disse que o comando da PM do Rio de Janeiro é sócio do crime organizado. Não era disso que Tropa de Elite já falava?
A declaração do ministro seria muito precisa se ocorresse há 10 anos. De fato, a escolha de coronéis no Rio de Janeiro era feita por critérios políticos. Os comandantes dos batalhões eram indicados por deputados estaduais. Na Assembleia Legislativa (Alerj) nós tínhamos deputados envolvidos com atividades milicianas. Mas justiça seja feita: o maior legado do Beltrame é a despolitização da Segurança Pública. Não temos mais coronéis indicados por deputados, a Alerj não indica mais comandante de batalhão, nem delegado. Nós tivemos, com o governo Cabral — não tenho a menor admiração por ele, quero mais é que fique preso por muito tempo —, vereadores e deputados presos por envolvimento com atividades milicianas. E todos eram da base aliada do governo!

O ministro também disse que uma solução mais efetiva só poderá ocorrer no próximo governo, em 2019. Até lá, como faz?
Até lá, o carioca está f*! O que o ministro falou impossibilita as articulações das forças federais com as estaduais. Como é que depois disso coronéis e o secretário de Segurança Pública vão se reunir com delegados federais, com oficiais do Exército para traçar qualquer plano em conjunto? As corregedorias da polícia estão funcionando e nunca prenderam tanto. E as ações repressivas em favelas estão ocorrendo também. A polícia do Rio de Janeiro, apesar da crise, da falta de viaturas, do salário atrasado, está quebrando todos os recordes de produtividade.

Medir o desempenho da polícia por produtividade não estimula um certo furor repressivo para atingir as metas?
A questão é outra: isso está gerando algum efeito? Não. Os números da violência estão aumentando, houve alta de 7,25% em homicídios (em setembro, na comparação com o mesmo mês do ano passado) e 25% em roubo de carros. A polícia mede a produtividade, mas não significa que isso vá implicar em efetividade. Existe um papo da esquerda de que cadeia não resolve. O Estado que mais prende no Brasil é São Paulo. E é o Estado que apresenta os maiores níveis de redução de criminalidade. O país que mais prende no mundo são os Estados Unidos – onde estão havendo os maiores níveis de redução de criminalidade. Então como é que cadeia não resolve? Resolve pra c*! É de um romantismo, de uma ingenuidade falar que ‘cadeia não ressocializa ninguém’... Meu amigo, cadeia não serve para ressocializar, serve para neutralizar, reinserir e punir. A cadeia moderna tem três missões distintas. A primeira é punição, o cara que cometeu o crime tem que ser punido, tem que ficar preso longe da família, longe da praia, longe da rua. A segunda é neutralizar, para que ele pare de continuar fazendo aquilo. E a terceira é a reinserção do cara na sociedade. Só que é evidente que ela não consegue cumprir essas funções. Não neutraliza porque de dentro da cadeira os bandidos coordenam crimes e rebeliões. Reinserir também é muito difícil. Acaba apenas punindo, mesmo.

Bandido bom é bandido morto?
Bandido bom é bandido preso, isolado, punido e, se possível e for da vontade do próprio, reintegrado.

Do que a polícia precisa para ter atuação mais efetiva?
Hoje, eu tenho certeza de que a polícia precisa de um arcabouço jurídico melhor do que o existente. A polícia, não; a sociedade. A questão que a mídia deveria bater é: a média de tempo que um bandido que cometeu crime violento fica preso não chega a dois anos. Isso é vergonhoso.

É a história de que “a polícia prende e a Justiça solta”?
Não é o juiz que solta, é a legislação. Em 2014, eu ainda trabalhava na Globo (saiu em 2015) e teve uma explosão de roubo de carros em Niterói (RJ). A PM conseguiu prender os ladrões em flagrante. O coronel de lá ligou para mim e disse: ‘Pimentel, não aguento mais! Todos os caras que eu prendo, eu já prendi!’ E aí entra a audiência de custódia, a gente não entende se para zelar pelas garantias individuais do preso ou para esvaziar o presídio.

Dez anos depois, qual o legado de Tropa de Elite na discussão sobre a segurança pública no Brasil?
O filme é muito a cara do Rio de Janeiro. Tanto é que era exibido em outros Estados e as pessoas não acreditavam. Mas no Rio de Janeiro foi devastador. Vi o Cabral dizendo que teria consertado as maiores denúncias feitas pelo filme: ‘Operação policial em favela – criei as UPPs. Oficina mecânica em batalhão – estou alugando viaturas. Politização da Segurança Pública – proibi deputado de indicar comandante de batalhão.’ Eu visitava alguns Estados e os colegas vinham me dizer que tinham visto na TV que milícia era uma coisa legal. Eu respondia: ‘Não, milícias são bando de assassinos controlados por algum político, que domina um território, que manda matar, não tem nada de bom! Milícia é uma merda, bom é o Estado!’ O miliciano expulsa o traficante e começa a explorar o morador, a cobrar ‘taxa de proteção’.

É no “coração do sistema” em Brasília que começa o problema, como o final do segundo filme sugere?
Quando vi o ministro Torquato dizendo que o crime organizado tomou conta do Rio de Janeiro me deu vontade de perguntar: ‘P*, você pertence ao governo mais corrupto da história deste país e está falando do Rio de Janeiro?!’ É lógico que o problema começa em Brasília — e está sendo combatido pela Polícia Federal (PF). Sou fã incondicional da PF, acredito que a Lava-Jato aconteceu e aconteça em função da PF, não do Ministério Público.

A mesma PF que agora está tendo seus métodos questionados em Florianópolis por conta da operação Ouvidos Moucos, cujo resultado mais visível até agora foi o suicídio do ex-reitor da UFSC , Luiz Carlos Cancellier, após ser preso e afastado do cargo sob a acusação de estar obstruindo as investigações.

Acompanhei a morte do reitor, mas não estou bem a par do caso. Agora, eu posso manter uma pessoa investigada à frente de uma universidade? Não posso manter um policial investigado à frente de sua delegacia, um coronel investigado à frente de seu batalhão, porque seria diferente com um reitor? O brasileiro não está acostumado a ver gente de classe média, branca e bonita sendo presa. Quando a polícia prende preto e pobre em Santa Catarina não há nenhum tipo de indignação, né? A prisão preventiva está prevista para três situações: preservação da ordem pública, garantia da aplicação da lei penal ou para evitar a obstrução das investigações.

Como reparar uma pessoa que foi presa preventivamente e, ao final das investigações, foi considerada inocente?
Esse é o ônus que a sociedade paga para tentar aplicar a lei. Acontece em qualquer sistema jurídico penal do mundo, pessoas são presas e soltas. Não é uma peculiaridade do Brasil.


Fonte: Folha de S.Paulo

Retomada econômica chega à arrecadação

O resultado ainda é pequeno, mas consistente: a recuperação econômica chegou à arrecadação. A afirmação leva em consideração que receitas vindas da cobrança de tributos que dependem da retomada, como o IPI, imposto sobre os produtos industrializados, reagiram.

Essa leitura é feita pelo IFI (Instituto Fiscal Independente), do Senado, em Relatório de Acompanhamento Fiscal a ser divulgado nesta segunda (13) e obtido pela Folha.

Para compreender melhor a dinâmica da arrecadação neste momento, o diretor do IFI, Gabriel Leal de Barros, separou as chamadas receitas recorrentes (obtidas com a cobrança regular de tributos) das receitas extraordinárias (conseguidas eventualmente, que normalmente não se repetem, como programas de refinanciamentos de dívidas de empresas ou concessões de infraestrutura).

Ao fazer essa distinção, Barros identificou que a arrecadação recorrente cresceu 1,1% no acumulado do ano, até setembro. A extraordinária caiu 14,7% –puxando para baixo a arrecadação total. Com um tipo de receita aumentando e a outra caindo, a receita total teve alta de apenas 0,2% até setembro.

Barros explica que a receita com tributos foi muito influenciada pelo aumento de arrecadação com o IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) e a contribuição sobre a folha de salários.

Ambos mostraram reação mesmo com a trajetória errática da indústria e do mercado de trabalho.

No caso da contribuição sobre a folha, que responde por cerca de 30% da arrecadação total do governo federal, a queda da inflação teve o papel de abrir espaço para alta real da massa salarial.

Números

Em números absolutos, a arrecadação federal com tributos ligados à atividade econômica subiu para R$ 785,8 bilhões até setembro deste ano.

Foram R$ 8,3 bilhões a mais para os cofres públicos. Em igual período do ano passado, somou R$ 777,5 bilhões.

Já as receitas atípicas arrecadaram R$ 38,4 bilhões até setembro de 2017, ou R$ 6,6 bilhões abaixo do total obtido em igual período do ano passado (R$ 45 bilhões).

Desde julho, a trajetória de recuperação das receitas recorrentes parece ter se firmado, respondendo à reação econômica gradual.

Apesar disso, as receitas consideradas recorrentes são insuficientes para compensar as despesas, que seguem avançando em 2017, fazendo com que o governo ainda precise de recursos atípicos para aliviar um pouco o rombo.

As despesas subiram para R$ 933 bilhões até setembro, em comparação aos R$ 927 bilhões gastos em igual período do ano passado.

Para se ter uma ideia desse peso dos gastos, as despesas com pessoal, que incluem salários de funcionários públicos federais, sobem 10,3% no ano; benefícios previdenciários têm alta de 6,8% e os assistenciais, de 6,1%.

Na outra ponta, as despesas do governo federal com investimentos em infraestrutura, excluído o Minha Casa Minha Vida, caíram 40,3% no ano até setembro. Se esse movimento alivia um pouco a alta dos gastos com pessoal, acaba atingindo em cheio justamente o mais importante: a recuperação da economia.

Com isso, o rombo nas contas do governo –o chamado deficit primário, que exclui o pagamento de juros– chega a R$ 168,6 bilhões ou o equivalente a 2,6% do PIB (Produto Interno Bruto), considerando 12 meses.

A expectativa do IFI é que o deficit público do governo federal continue crescendo pelo menos até 2022.

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